Indústria bélica vive o melhor dos robôs

É só olhar uma vez para o olho eletrônico vidrado e o visual “dark” do Modular Advanced Armed Robotic System (Sistema Robótico Armado Avançado Modular) para a mente nos transportar ao Skynet, o computador fictício de “O Exterminador do Futuro” que adquire consciência da própria existência e despacha exércitos robotizados para exterminar a raça humana.

Robôs guerreiros

O Airrobot AR100B

O Airrobot AR100B já realizou mais de 1.200 missões no Afeganistão. Veja Mais Fotos

O marombado robô de guerra, fabricado pelo braço norte-americano da QinetiQ Group PLC, do Reino Unido, se move com esteiras, como um tanque. Tem câmeras que enxergam de dia e de noite, um lançador de granadas com quatro tambores e uma metralhadora de 7,62 milímetros.

O negócio de robôs militares é de matar de sério — e a parafernália em exibição na feira de sistemas não tripulados Unmanned Systems North America na capital americana, Washington, marca a migração de empresas de defesa para a venda da guerra por controle remoto. A consultoria aeroespacial e de defesa Teal Group calcula que, no mundo todo, o investimento em veículos aéreos não tripulados vai subir para cerca de US$ 11,3 bilhões até o final da década; hoje, soma cerca de US$ 5,9 bilhões ao ano.

Christopher Langford, gerente de produto do grupo de sistemas não tripulados da QinetiQ, disse que seu robô é uma ferramenta de “escalada de força” fornecida a forças de operações especiais dos EUA. O aparelho pode ficar de guarda em um local, espantar quem se aproxima com um megafone básico, um laser não letal, bombas de gás lacrimogêneo ou fumaça. E, em último caso, disparar uma rajada letal.

Sistemas não tripulados já são muito usados em guerras. O avião-robô Predator ataca esconderijos de rebeldes no Paquistão e no Iêmen. No Japão, aviões de vigilância militar sem piloto há pouco conferiram o estrago causado pelo desastre nuclear.

O que se gasta com robôs ainda é, naturalmente, uma fração do mercado aeroespacial global, que movimenta US$ 220 bilhões e é dominado por vendas militares e comerciais de gigantes como a americana Boeing Co. e a europeia Aeronautic Defence & Space Co.

Armas robóticas têm suas desvantagens. No Paquistão, a morte de civis inocentes em operações americanas com aviões-robôs revoltam a população. P.W. Singer, pesquisador do centro de estudos americano Brookings Institution e autor de “Wired for War”, um livro sobre a revolução na robótica militar, teme que a guerra automatizada e a aniquiliação do inimigo por controle remoto possam tornar mais tentador para um país declarar guerra contra outro.

Modular Advanced Armed Robotic System (Sistema Robótico Armado Avançado Modular)

O Modular Advanced Armed Robotic System (Sistema Robótico Armado Avançado Modular), da QinetiQ

Na última década, o Pentágono investiu bilhões de dólares no desenvolvimento e na aplicação de aviões de vigilância sem piloto e outras equipamentos robóticos. O desfile de novas armas robóticas na feira em Washington é sinal de que o setor de defesa acredita que forças armadas mundo afora irão às compras nos próximos anos.

O setor se deu bem inicialmente com a venda de aeronaves sem piloto para monitoramento e ataque com mísseis. Agora, acredita que a procura por sistemas que atuam em solo, como o robô da QinetiQ, ou debaixo d’água, são a próxima fronteira.

Aperfeiçoar muitas dessas tecnologias, contudo, significa que veículos robóticos terão de agir de modo mais autônomo, sem alguém sentado em um painel de controle ou empunhando um joystick.

Wes Bush, presidente da Northrop Grumman Corp., disse que a pressão por maior autonomia — para criar máquinas que ajam com mais independência — traria uma nova geração de veículos não tripulados capazes de coisas complexas como reabastecer em pleno ar ou até pousar em porta-aviões.

“Para nós, são basicamente problemas de capacidade de processamento de computadores e da engenharia de sistemas, não questões fundamentais de desenvolvimento da tecnologia”, disse ele. “E acreditamos que serão resolvidos — e resolvidos em um prazo bem curto”.

Fonte: WSJ

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    19/08/2017