Google é bicampeão das Melhores Empresas

Está entre as Melhores Empresas para Trabalhar em TI e Telecom

Primeira colocada no ano passado, empresa assume mais uma vez a liderança do prêmio da Great Place to Work. Conheça suas estratégias

Os googlers voltaram. E eles não são cultivados em cativeiro. Ao contrário, se reproduzem em um dos ambientes mais agradáveis e descontraídos da área de TI e Telecom, somando no mundo cerca de 26 mil, dos quais 330 habitam no Brasil. Tratam-se dos funcionários do Google, que trazem em seu DNA a cultura da empresa.

Mais uma vez, eles foram os principais responsáveis por conceder ao maior buscador de internet do planeta ( empresa que fatura 29,3 bilhões de dólares) a primeira posição no ranking das Melhores Empresas para Trabalhar em TI & Telecom 2011, realizado há seis anos pelo Great Place to Work® e divulgado pela COMPUTERWORLD. A organização conquistou o título também no ano passado.

“O espírito do Google continua o mesmo. Temos uma organização muito dinâmica e fluida, sem horários e organogramas, mas com metas e valores muito claros”, diz o presidente Fábio Coelho, que assumiu o cargo em março deste ano.

O executivo acredita que ao oferecer um ambiente descontraído, com recursos necessários para desenvolver soluções em escala, “funcionários de qualquer lugar do mundo se sentem satisfeitos em trabalhar no Google”.
Mônica Duarte Santos, diretora de Recursos Humanos do Google, diz que não basta ter mesas de sinuca e de pingue-pongue integradas ao ambiente de trabalho, horário flexível, e ausência de modelo hierárquico de gestão.

“O importante é que os funcionários, os nossos googlers, mantenham viva a cultura da empresa, sua história, suas crenças e a maneira como as pessoas se relacionam” diz.

A executiva revela que o segredo do sucesso na conquista do título de Melhor Empresa para Trabalhar está diretamente ligado à seleção acertada dos integrantes do time. Na opinião de Mônica, que possui três anos de casa [um deles no comando do RH], somente com os funcionários corretos é possível atingir metas e preservar a cultura Google.

O que tem um googler? Fala, lê e escreve inglês fluentemente, sem o qual ficaria à margem de todas as convenções internacionais [estratégicas] realizadas ao longo do ano. Tem estilo de liderança participativa, independentemente se ocupa ou não cargo de gestor, facilidade de integração, afinidade com a informalidade e gosta de tecnologia, especialmente dos produtos da empresa.

“No final de junho, toda a área de vendas da América Latina viajou a São Francisco (EUA) para a Conferência de Vendas das Américas. Todas as apresentações e vídeos foram em inglês, quem não domina o idioma fica de fora”, diz Mônica.

Segundo Mônica, o Google quer pessoas que estão preocupadas com o meio ambiente, em linha com a comunidade. “Já contratamos atletas”, destaca. E que se interessem por tecnologia. “Normalmente, quem quer trabalhar aqui gosta de tecnologia.” Outro segredo do sucesso da gestão do Google, segundo Mônica, é que diferentemente do que acontece em outras organizações, o departamento de RH não define um programa e depois busca a ajuda do board para implementá-la.

“Aqui é o contrário: as ações, em sua maioria, são discutidas no board e o RH faz acontecer. O RH é uma área de apoio para que o Google possa manter viva a sua cultura”, revela e reforça: “Traçamos estratégias para apoiar a cultura que foi construída. Por isso, ela não se perde.” Como desafios no comando do RH da melhor empresa para trabalhar, Mônica destaca a expectativa de crescimento muito grande para este ano [50% na América Latina, onde o Brasil tem participação expressiva].  “O trabalho será intensificado para preservar a cultura em meio aos novos contratados.” O outro é, segundo ela, assegurar que seja entregue a cada um dos funcionários o que eles estão buscando. “Temos o compromisso de atendê-los.”

Seleção no Google

O processo inclui procedimentos tradicionais como avaliação de currículo e entrevistas. O diferencial, segundo Mônica, está nas entrevistas, que costumam totalizar quatro. O candidato é entrevistado não somente pelo RH, mas também por profissionais das áreas que estarão diretamente envolvidas com o cargo da vaga. “Estão incluídos gestores e equipe”, ressalta Mônica.

Todas têm objetivos concretos de avaliação, prossegue Mônica, e podem ser eliminatórias, procurando analisar experiência profissional, conhecimentos específicos da área, habilidades cognitivas [como a pessoa soluciona problemas, toma decisões, características de liderança etc].

“Não buscamos candidatos extremamente experientes. E sim aqueles que se interessam por influenciar, em liderar. Ainda que a vaga não seja para gestor. Uma pessoa pode ser líder em seu ambiente acadêmico, por exemplo, e ser líder a vida inteira”, afirma a executiva do RH.

A matriz participa da seleção, muitas vezes em uma das entrevistas e também por meio da análise dos relatórios gerados em cada uma delas. “O gerente que está contratando não toma a decisão sozinho. Ela é conjunta, consensual e colegiada.” Perguntada sobre a importância de como o candidato se veste e se expressa para a entrevista, Mônica diz que o Google não dá importância como acontece em outras empresas. “No Brasil ou nos Estados Unidos, você vai ver pessoas trabalhando de bermudas e chinelos, incluídos gestores. Buscamos a essência da pessoa e as que se relacionem bem.”

Como é trabalhar lá

Luiza Borba Santos é uma googler há três anos e meio. Formada em publicidade e Letras/Tradução, ela afirma que ingressar no Google a possibilitou começar uma carreira do zero e ser feliz como nunca havia sido antes em outras empresas. Candidata a uma vaga para a área de vendas, enviou seu currículo, sem esperanças de fazer parte do cobiçado time.

“Achei que não tinha nada a ver com a função, mas eles identificaram meu potencial e hoje sou grata. O Google tem o poder de salvar as pessoas. Resgatar suas verdadeiras habilidades”, diz.

Luíza veio de Brasília fazer as entrevistas [com todas as despesas pagas pelo Google] e hoje é gerente de contas sênior em São Paulo.Quem também deixou a capital federal para trabalhar no Google um ano e meio antes de Luiza foi Fausto Araújo. Apesar de estarem no mesmo estado e de terem estudado no mesmo colégio, foi no Google que se conheceram. Mais do que isso, se casaram.

“Eu também sou formado em publicidade e por ter afinidade com a empresa, entrei no site e enviei meu currículo”, conta Araújo, hoje gerente de Planejamento Estratégico para a América Latina.

Eles acreditam que o ambiente agradável e a informalidade favoreceram a aproximação e especialmente a integração com os colegas. “Todos são muito colaborativos. Quando entrei, um exército de pessoas ofereceu ajuda constante. E isso não acaba com o tempo”, afirma Araújo.

“O diretor Brasil veio me perguntar se eu estava bem, assim que eu cheguei. Achei aquilo muito estranho, porque ainda estava ligada às normas de hierarquia tradicionais”, lembra Luiza.

“Depois percebi que isso era muito normal.” As pessoas quebram, felizmente, as culturas anteriores, prossegue Luiza, mas precisam de um tempo para se adaptar à nova realidade. “Descobri que as pessoas se tornam muito mais legais do que eram em seus antigos empregos”.

“Isso porque as pessoas aqui têm a chance de ser elas mesmas. Deixam de ser um ícone corporativo”, acrescenta Araújo.

Time de vendas de primeira

Mas do que um segredo, uma arma valiosa e altamente estratégica para o sucesso do gigante de buscas na internet reside no time de vendas. Quem associa a figura do vendedor àquela sem o dom da palavra, sem necessariamente de genuína formação, esqueça, ao menos quando se trata de um vendedor googler.

Luiza e Araújo são exemplos: jovens [ambos com 29 anos], fluentes em inglês, publicitários, criativos, empreendedores, ambiciosos, bons na comunicação e em relacionamento. “Quando cheguei, havia do meu lado um rapaz, que falava japonês fluente, fez engenharia no Japão [em japonês, claro] e estava ali, para desempenhar praticamente o que eu iria fazer: vendas. O nível é altíssimo por aqui.” Da vaga inicial no setor de vendas para pequenos e médios anunciantes, Araújo passou para o de grandes anunciantes até alcançar a área de Planejamento Estratégico para a América Latina, que apoia o setor de vendas.

“É como se eu tivesse mudado de emprego duas vezes sem sair do Google. Hoje, sou responsável pela expansão de vendas e elaboração de estratégias.” O que os retém no Google? Eles respondem que é a qualidade de vida interna e o que a organização proporciona na pessoal.  “É difícil se imaginar longe da empresa”, afirma Luiza. “Nosso pacote de benefícios, as oportunidades que surgem, o reconhecimento, a forma como eles tratam os funcionários, enfim, tudo isso torna difícil tirar alguém daqui”, desafia Araújo.

Sem contar com as oportunidades de viajar para o exterior, conhecer outras culturas, diz Luiza. Ela esteve recentemente em um programa de intercâmbio internacional corporativo [um dos benefícios], trabalhando nos escritórios da Polônia e da Irlanda. “Parece que já conhecemos as pessoas. Independentemente do país, elas têm perfis muito semelhantes e então a troca de conhecimentos e afinidades é muito mais fácil”, diz.

A liberdade e o apoio são tão presentes na gestão de pessoas do Google que Araújo pôde aproveitar a ausência da esposa para passar 20 dias no escritório da Califórnia. “A empresa enxergou essa oportunidade.”

A transparência, a integração, o clima, o perfil das pessoas, as oportunidades, tudo isso faz com que os googlers sintam prazer em acordar todos os dias para habitar a Melhor Empresa para Trabalhar de TI & Telecom de 2011. Eles, que contribuem diretamente com os resultados da empresa de mais de 29 bilhões de dólares e, ao que parece, ela continua retribuindo para a satisfação de quem mantém a sua cultura no DNA.


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    25/04/2017