Prêmio Nobel da Paz: vencedores dos anos de 2002 a 2011

nobel da pazUma das ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz este ano, a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, afirmou nesta sexta-feira que a premiação é um reconhecimento dos “muitos anos de luta pela justiça, paz e promoção do desenvolvimento” no país do Oeste da África desde uma brutal guerra civil.

Johnson-Sirleaf dividiu o prêmio com a liberiana Leymah Gbowee, uma ativista da paz, e com a ativista iemenita Tawakul Karman.

“Eu acredito que nós (Gbowee e eu) aceitamos isso em nome do povo liberiano, e o crédito vai para o povo liberiano”, disse Johnson-Sirleaf a repórteres do lado de fora de sua residência, na capital da Libéria.

Gbowee estava em uma turnê literária nos Estados Unidos, informou seu escritório sediado em Acra, Gana.

A premiação foi dada quatro dias antes de uma tensa eleição presidencial na qual Johnson-Sirleaf espera vencer uma disputa acirrada contra a principal figura da oposição, Winston Tubman, e o ex-líder rebelde Prince Johnson.

Será a segunda eleição na Libéria desde o término da guerra civil de 14 anos, em 2003, que deixou mais de 200 mil mortos. Se ocorrer bem, poderá abrir caminho para bilhões de dólares em investimento em petróleo e mineração.

“O Prêmio Nobel da Paz para Johnson-Sirleaf vai dar força à tentativa dela de ser reeleita, mas também pode reforçar as críticas de partidos da oposição e da sociedade civil sobre a falta de um ambiente nivelado na corrida para as eleições,” afirmou Hannah Koep, chefe de análise da África da Control Risks.

Embora Johnson-Sirleaf tenha conquistado fama internacional como a primeira mulher eleita chefe-de-Estado da África e aplausos por manter a estabilidade, ela enfrenta críticas em casa pelo ritmo lento de reconstrução da infra-estrutura e por fracassar em eliminar a corrupção dentro do seu governo.

O comitê eleitoral da Libéria disse nesta sexta-feira que a eleição de 11 de outubro vai prosseguir conforme previsto. “Vamos continuar conforme planejado, tudo está em seu curso. O Prêmio Nobel da Paz para a presidente de forma nenhuma impacta a corrida eleitoral,” disse Nathan Mulbah, relações públicas do Comitê Nacional Eleitoral.


A ativista iemenita Tawakul Karman, uma das ganhadoras do Nobel da Paz de 2011, disse nesta sexta-feira que o prêmio é uma vitória para o Iêmen e para todas as revoluções da Primavera Árabe, e uma mensagem de que a era das ditaduras árabes terminou.

Karman, que chegou a ser detida durante a atual onda de protestos contra o presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, disse à Reuters que a revolução pacífica para derrubá-lo continuará.

“Esta é uma vitória para o povo iemenita, para a revolução iemenita e todas as revoluções árabes. Esta é uma mensagem de que a era das ditaduras terminou. Esta é uma mensagem a este regime e a todos os regimes despóticos de que nenhuma voz pode sufocar a voz da liberdade e da dignidade”, disse Karman, 32 anos, mãe de três filhos.

“Esta é uma vitória para a Primavera Árabe na Tunísia, no Egito, na Líbia, na Síria e no Iêmen. Nossa revolução pacífica vai continuar até derrubarmos Saleh e estabelecermos um Estado civil.”

Tawakul é uma figura central entre os jovens ativistas dede o início do acampamento deles, em fevereiro, em um espaço urbano apelidado de “Praça da Mudança”, no centro de Sanaa, exigindo o fim das três décadas do regime de Saleh. Ela muitas vezes aparece falando na TV árabe em nome dos ativistas.

A premiação foi recebida com euforia pelos manifestantes acampados. “O Iêmen entrará para a história graças a Tawakul Karman. Ela merece o prêmio. Ela continuou lutando pela liberdade do seu povo”, disse Abdulbari Taher, um dos líderes do protesto.

Um funcionário do governo também cumprimentou Karman pelo prêmio, dizendo esperar que ele contribua com a solução da crise no país.

“Estou muito feliz com a notícia de que ela ganhou o Nobel da Paz, e é algo de que todos os iemenitas podem se orgulhar”, disse o vice-ministro da Informação, Abdu al Janadi. “Espero que o prêmio possa ser um passo na direção da racionalidade.”

Karman disse que dedica o prêmio “ao povo iemenita e à juventude da Primavera Árabe, e ao mundo árabe e a cada mártir que morreu pela liberdade.”

Os iemenitas se rebelaram contra Saleh no rastro da chamada Primavera Árabe, que desde o início do ano já levou à derrubada de governos autoritários na Tunísia, no Egito e na Líbia. A monarquia do Bahrein reprimiu em março um movimento pró-democracia, e ativistas da Síria e do Iêmen há meses mantêm seus protestos contra os respectivos governos.


brasaoOs 10 últimos vencedores do Prêmio Nobel da Paz

  • 2011 – As liberianas Ellen Johnson-Sirleaf e Leymah Gbowee e a iemenita Tawakul Karman “pelos direitos das mulheres em ter participação total no trabalho de construção da paz.”
  • 2010 – Liu Xiaobo “pela sua luta longa e não-violenta pelos direitos humanos fundamentais na China.”
  • 2009 – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pelos esforços em fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos.
  • 2008 – O ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari pelo trabalho pela paz em lugares desde a Namíbia até o Kosovo.
  • 2007 – O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e o Painel Intergovernamental pela Mudança Climática por levantarem a consciência sobre os riscos das mudanças no clima.
  • 2006 – O professor de economia de Bangladesh Muhammad Yunus e o Banco Grameen, de Bangladesh, pelo trabalho para acabar com a pobreza por meio das “microfinanças”.
  • 2005 – A Agência Internacional de Energia Atômica e seu presidente Mohamed ElBaradei por combaterem a propagação de armas nucleares.
  • 2004 – A ambientalista queniana Wangari Maathai pelo movimento dela para promover o plantio de dezenas de milhões de árvores.
  • 2003 – A advogada de direitos humanos iraniana Shirin Ebadi pelo trabalho dela em defender os direitos humanos e promover democracia no Irã.
  • 2002 – O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter por anos de trabalho ajudando a resolver conflitos em lugares do Oriente Médio à Coreia do Norte, Haiti e Eritreia.
Fonte: Reunters
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    23/08/2017