Neymar assume a responsabilidade

Com o moicano em pé e o terno alinhado, Neymar é um pouco do garoto matreiro que deixa os defensores malucos em campo e os torcedores, na arquibancada e um tanto do jogador que, aos 19 anos, já carrega uma responsabilidade que para muitos poderia ser considerada um fardo.

A três anos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, ele está preparado para sua primeira participação no torneio, como assistente no sorteio dos grupos das eliminatórias. Ao lado de figuras como Ronaldo, Zagallo e Cafu, homens cujos currículos somam oito títulos mundiais pela Seleção, o garoto não parece nem um pouco deslocado ou pressionado, sentado em um camarim de backstage na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, acompanhado também pelos jovens parceiros de Amarelinha Paulo Henrique Ganso e Lucas.

Quando se discute a preparação do Brasil para o torneio em que será anfitrião, fala-se com naturalidade, quase automaticamente, no nome da revelação santista. Mas não é prematuro pensar desta maneira? É justo com alguém que nem 20 anos completos tem? Em entrevista aoFIFA.com, Neymar fala sobre esse assunto e a expectativa de um confronto do Santos com o Barcelona na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, no final do ano. Confira:

FIFA.com: Como foi para você, três anos anos antes, já poder dizer que fez parte da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 ao subir no palco para o Sorteio Preliminar?
Neymar: Fico muito feliz de estar participando deste sorteio das eliminatórias. É uma felicidade imensa, ainda mais por ser no meu país. Estou muito honrado, mesmo, principalmente pela companhia, com craques como Ronaldo, Cafu, Zico e outros.

Você acabou de jogar seu primeiro torneio oficial com a Seleção principal, a Copa América. Esperava que a Seleção fosse encontrar tanta dificuldade?
Contra o Brasil, a maioria das seleções nacionais vai jogar assim, sempre na retranca, esperando para o contra-ataque. Não tem jeito. A gente vai agora ter de começar a lidar com isso, aprender a enfrentar esse tipo de adversário; começar a trabalhar com isso na cabeça, para que o time não possa ser surpreendido novamente.

O resultado final não foi o ideal, claro, mas imagino que muita coisa possa ter valido para a continuação de sua carreira com a Seleção, não?
Sim, muitas coisas valem. A experiência que eu adquiri no campeonato, ainda mais sendo meu primeiro com a Seleção, é algo que vou levar para o resto da minha carreira. É um momento para aprender bastante. Você sente um pouco de dificuldade, mas vai se adaptando aos poucos.

Você acha que às vezes as pessoas se esquecem de sua idade e de outros que estão chegando à Seleção agora? Acha que é justo que se espere tanto de um grupo relativamente novato?
Eu acho que é (justo). Pelo que a gente vem trabalhando, demonstrando nos clubes, a responsabilidade no futebol acaba sendo normal. Nós temos de encarar isso, e a gente está começando, vai se acostumando com isso. Se Deus quiser, para 2014 a gente vai estar muito preparado para levar o Brasil ao título.

Mudando o foco um pouco para o Santos, agora. Como descrever o seu golaço contra o Flamengo? Como as coisas foram acontecendo para você enquanto o lance ia se desenvolvendo?
Foi uma jogada que começou na lateral-esquerda, e eu driblei dois marcadores. Fiz um-dois com o Borges, driblei o terceiro, o quarto adversário e acabei concluindo no gol. Foi um belo gol. Fiquei muito feliz de ter feito um belo gol assim no estádio que é minha casa, na Vila, onde comecei. Foi maravilhoso para mim. No momento não acreditei muito, só fui pensar sobre o gol depois.

Além das conquistas, é por esse tipo de lance que sua geração no Santos vem sendo reconhecida. Acha que dá para manter esse padrão de futebol pensando na Copa do Mundo de Clubes da FIFA Japão 2011 e para um eventual confronto com o Barcelona?
Olha… Encarar o Barcelona é muito complicado. Acho que não tem tática. Acho que vai ter de rezar, pedir a Deus, e ir para o jogo (risos).

Mas vimos nos últimos anos que, entre os times que derrotaram o Barcelona, o padrão foi se fechar na defesa e jogar nos detalhes, mesmo quando se tem alguns astros no elenco. Você considera que o Santos conseguiria encará-los de igual para igual?
Vamos jogar nosso futebol normal, essa é a idéia. Primeiro de tudo, vamos ter uma partida que é muito importante e pode ser perigosa também, antes de pensar em disputar a final, ou em um Barcelona. A gente quer chegar à final, claro, e se tiver de encarar o Barcelona, é encarar de igual para igual. O Barcelona é o melhor time do mundo, tem o melhor jogador do mundo atuando pelo time deles, mas vamos jogar nosso futebol.

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    25/04/2017