Jogos dos Povos Indígenas

Brasil deve apresentar os Jogos Indígenas a participantes da Rio+20

O Brasil estuda criar uma Olimpíada Verde para mostrar ao mundo sua riqueza indígena e o potencial de organização de megaeventos esportivos, culturais e de sustentabilidade. O evento deverá ser realizado durante a Kari-Oca, nome dado à participação indígena na Rio+20, quando estarão reunidos chefes de estado e lideranças mundiais, de 20 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. A ideia é promover, numa versão reduzida, os Jogos dos Povos Indígenas, com a participação de 300 índios de 12 etnias.

Para discutir a proposta, estruturar o projeto e definir itens como a escolha do local onde será montada a aldeia indígena, o secretário Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte, Afonso Barbosa, reuniu-se nesta segunda-feira (13.02) com o secretário municipal de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, Romário Galvão. Participaram do encontro, na Vila Olímpica de Vila Isabel, o articulador indígena da ONU, Marcos Terena, o coordenador esportivo e cultural dos Jogos Indígenas, Carlos Terena, e a diretora de Eventos da Secretaria de Esportes do Pará, Ana Júlia Chermont.

O arquiteto indígena Jucimar Bakairi – que trabalha no planejamento da estrutura física da Kari-Oca – e o pajé Papá Guarani também estiveram presentes à reunião, seguida por uma visita ao autódromo de Jacarepaguá, possível local da Olimpíada Verde Kari-Oca.

A ação envolve os ministérios do Esporte e das Relações Exteriores, a Coordenação da Rio+20, o Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena e a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da secretaria municipal de Esporte e Lazer.

O objetivo da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) é assegurar o comprometimento político com o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até o momento e as lacunas existentes na implementação dos resultados dos principais encontros sobre meio ambiente.

Os principais temas em foco na Rio+20 serão a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza e o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável.

Recorde

A última edição (11ª) dos Jogos dos Povos Indígenas reuniu, no último mês de novembro, em Porto Nacional (TO), o número recorde de 39 etnias nacionais, com a participação de 1.400 indígenas. O evento de oito dias incluiu competições esportivas e de modalidades tradicionais, apresentações culturais, fórum social e feira de artesanato. Idealizados pelo Comitê Intertribal, os Jogos Indígenas são realizados pelo Ministério do Esporte.

A matéria-prima usada para confeccionar os itens comercializados na feira de artesanato é retirada da natureza com responsabilidade. As penas coloridas são colhidas dentro dos ninhos, durante as três etapas no ano em que os pássaros trocam a plumária. Também são utilizadas sementes de frutos e de árvores, madeira, coco, palha, bambu, conchas e outros derivados do rio e do mar, como escamas de peixe e carapaças de caracóis.

Os recursos obtidos com a venda de artesanato são destinados à agricultura familiar, à compra de alimentos, à criação de animais e a melhorias para o povoado. “Moramos no território indígena de Barra Velha, em Porto Seguro, na Bahia, numa área de proteção ambiental. Não podemos caçar animais, por exemplo. Por isso, com o dinheiro adquirido nas feiras, compramos alimentos para todos”, explica o líder indígena Arakury Pataxó, 25 anos.

Esporte

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    24/09/2017