Nestlé se beneficia da localização Suíça

Quem dera a cotação das ações da Nestlé dependesse só do consumo de Nescafé e de Chokito.

Mas não. Quem investe na fabricante suíça de alimentos precisa ser um verdadeiro economista. Como outras empresas da Suíça, a Nestlé foi castigada este ano pela valorização de 28% do franco em relação ao dólar e de 20% frente o euro.

A empresa pode até ter surpreendido o mercado no primeiro semestre, com um crescimento orgânico da receita de 7,5% e lucro 5,2% maior em moeda estrangeira. Só que, em francos suíços, todo esse ganho evapora

A Nestlé não tem muito a fazer quanto à disparada do franco.

Cerca de 98% de sua receita vem de fora da Suíça. Logo, embora busque neutralizar o risco cambial de certas transações — como a compra de commodities —, não há como amortecer o golpe na hora de repatriar o lucro no exterior. Isso respondeu pelo grosso da queda de 12,9% no faturamento registrado no primeiro semestre e de 8,5% no lucro.

Um influxo menor de dinheiro também significa menos fundos para pagar dividendos.

A boa notícia é que a Nestlé vem se dando bem num mercado difícil.

Embora os preços tenham subido 2,7% no primeiro semestre, os volumes seguiram crescendo ao sólido ritmo de 4,8%, sugerindo que a empresa vai conseguir compensar os custos mais altos de commodities este ano. No combalido sul da Europa, as vendas orgânicas subiram respeitáveis 3,9%. E produtos nobres estão bombando. As vendas do café Nespresso, uma das 29 marcas que geram mais de 1 bilhão de francos suíços (US$ 1,4 bilhão) em receita por ano, estão subindo mais de 20%.

Com isso, a incógnita para o investidor é o franco.

A campanha do banco central da Suíça para conter a valorização — incluindo uma nova intervenção nesta quarta — trouxe pouco alívio. Enquanto durar a crise da zona do euro e a política americana significar um dólar fraco, é possível que empresas suíças tenham de se resignar com um franco forte.

Até aqui, o investidor estrangeiro não foi prejudicado.

Embora tenham caído 17% em francos suíços este ano, as ações da Nestlé acumulam alta de 6% em dólares e queda de apenas 0,1% em euros, desempenho melhor do que o de outras grandes fabricantes de alimentos.

Com investidores do mundo todo em busca de um porto seguro, aplicar na Nestlé a uma cotação de 14 vezes o lucro por ação em 2012 e numa moeda forte provavelmente é uma aposta digna do risco.

 

Fonte WSJ

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    23/06/2017