A bolsa está caindo. É hora de comprar?

A queda do rendimento da bolsa de valores pode ser um bom momento para investir, mas os especialistas alertam que é preciso ser conservador

Apesar do cenário de incertezas no mercado internacional e no mercado interno, a tendência de baixa nas bolsas pode gerar boas oportunidades para investidores no longo prazo. Seguindo a queda das bolsas por todo mundo, a Bovespa abriu a semana com a menor cotação desde maio de 2010.

O pregão desta segunda-feira fechou com queda de 2,10%, a segunda maior perda percentual para um só dia este ano. Por muito pouco o dia não teve uma pontuação abaixo dos 60.000 pontos. A cotação final ficou em 60.223,63. Já nesta terça-feira, o pregão continua negativo. Às 15h00 a queda estava em 0,33%.

O resultado da bolsa brasileira, contudo, não é um fenômeno isolado. Acompanhou a queda mundial com o temor de contágio da crise da dívida grega e também com a preocupação em relação à Itália.

Com a queda desta segunda, a bolsa já acumula uma queda de 13,1% este ano. Mas será que o investimento em ações deixou de ser um bom negócio? “Em poucos dias começa a temporada de publicação de balanços. Se os números forem bons, é possível que o mercado volte a subir”, afirma Bruno Lembi, sócio da M2 Investimentos.

Mas José Márcio Camargo, professor do departamento de Economia da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, adverte que alguns fatores internos e externos pedem uma postura mais conservadora para quem decidir aplicar em ações. A dificuldade de negociação do governo com o Congresso pode afetar o equilíbrio fiscal a partir de 2012.

Juntos, esses fatores tendem a provocar a venda de papéis na bolsa e, consequentemente, o registro de novas quedas. “Minha avaliação é de que é melhor ter o pé no freio e não investir pesado neste momento. Eu ficaria mais conservador”, avalia o professor da PUC-RJ.

Isso porque, no curto prazo, a tendência é de alta para a inflação, provocando mais aumentos na taxa básica de juros pelo BC. “Se a taxa de juros ficar em 13% e a projeção de ganhos na bolsa, que é um investimento de alto risco, for de 20% é mais prudente ficar na renda fixa”, diz.

A solução, então, é o investimento a longo prazo com expectativa de retorno entre 5 e 10 anos. Neste caso, Camargo sugere ao investidor setores ligados ao mercado interno, em especial o setor da construção. Os papéis das construtoras vêm de um histórico de queda na bolsa brasileira, logo, estão baratos e devem valorizar muito no futuro, empurrados por eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Na avaliação de Alcides Leite, professor de Mercado Financeiro e Economia da Trevisan Escola de Negócios, as bolsas devem continuar caindo pelo menos nos próximos dois meses, até que a crise na Zona do Euro seja equacionada.

O professor concorda que a melhor opção na bolsa são os investimentos em longo prazo. Dessa maneira, mesmo a alta na taxa de juros básicos pelo BC não coloca em risco o ganho de quem comprar os papéis agora, na baixa. Setores como petróleo, agronegócios e minérios são as melhores promessas para investimentos deste perfil, segundo o professor. “A economia mundial continuará crescendo e a oferta destes produtos é limitada. Assim, estas empresas se valorizarão”, explica.

Para diminuir o risco dos investimentos, vale a boa e velha regra da diversificação. É melhor comprar papéis de diferentes empresas nestes diferentes setores em vez de centralizar o investimento.

Fonte: EpocaNegocios

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    28/07/2017