Por que o leilão do trem-bala fracassou ?

Altos riscos, falta de recursos governamentais e baixo retorno de investimento desmotivam a participação de empreiteiras e empresas de tecnologia no projeto

Adiado pela terceira vez, o projeto do trem-bala precisará ser revisto para que o governo consiga atrair a participação da iniciativa privada. Entre os principais motivos apontados por empresas interessadas no consórcio para a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV), estão os altos riscos de negócios, o baixo retorno de investimento e a pequena participação do governo.

Para Luciano Amadio, presidente da Associação Paulista
de Empresários de Obras Públicas (Apeop), entidade responsável por organizar um dos consórcios para o leilão, o projeto atual do TAV é impossível de ser viabilizado.

“Há seis meses entregamos ao BNDES um estudo apontando que do jeito que está este projeto não se mantém em pé. Não há empresário no mundo que vá entrar em um negócio com tantos riscos”, disse o empresário.

O estudo apresentado pela Apeop estima o TAV em R$ 53 bilhões, contra os R$ 33,1 bilhões orçados pelo governo. A diferença de valores estaria relacionada a uma série de falhas de projeto. O discurso do empreiteiro engrossa as reclamações de diversas companhias interessadas em participar do leilão.

De acordo com os empreiteiros, o projeto não define exatamente qual será o traçado do trajeto do trem-bala e prevê um número menor que o necessário de túneis e viadutos. Apenas em túneis e viadutos, o governo estabeleceu um valor de R$ 10,7 bilhões. Já a Apeop, por exemplo, projeta um gasto de R$ 17,5 bilhões neste quesito.

Segundo Amadio, a associação estima que os gastos com as contrapartidas para as licenças ambientais irão consumir cerca de 10% do valor total do projeto. Já o retorno de investimento para o trem-bala, de acordo com cálculos da associação, gira em torno de 6%.

“O governo tem que sentar com a iniciativa privada e refazer o projeto. É preciso dividir os riscos envolvendo as licenças ambientais, a demanda de utilização do trem e as altas garantias de negócios, que podem inviabilizar empresas inteiras”, sugere Amadio.

Outro problema apontado por fontes ligadas aos consórcios, está relacionado às empresas responsáveis pelo fornecimento de tecnologia. Elas aceitam a exigência feita pelo governo de transferência de tecnologia, mas se recusam a entrar como parceiras no financiamento do projeto. Figuram entre as empresas que devem participar dos consórcios companhias como LG, Samsung, Alston e Mitsui.

Além do grupo formado pela Apeop, devem participar do leilão pelo menos dois outros grupos. Um deles formado por grandes empreiteiras como Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Grupo OAS. A Andrade Gutierrez, outra gigante do setor, ainda não fechou sua participação, mas segundo fontes ligadas ao setor, a empresa deve entrar no chamado grupo coreano, o TAV Brasil.

A primeira data para apresentação de propostas para o trem-bala havia sido estipulada pelo governo em novembro. Desde então, o prazo já foi adiado para abril e, depois, para julho.

Foram protocolados junto à Agência Nacional de Transportes Aéreos (ANTT) três pedidos de adiamento do prazo na semana passada, mas o governo decidiu por manter a data e, diante da ausência de propostas, já sinaliza que deverá rever o projeto.

Fonte do artigo: EpocaNegocios

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    22/10/2017