Desmatamento ilegal em Rorainópolis

O Ibama já aplicou R$ 206 mil em multas e apreendeu 510 m³ de madeira ilegal (cerca de 25 caminhões cheios) em doze dias de fiscalização do desmatamento ilegal na região de Rorainópolis, a 290 km de Boa Vista, o principal pólo madeireiro de Roraima. Duas pás-carregadeiras flagradas escondendo 102 toras extraídas ilegalmente da floresta e seis caminhões que tentaram cruzar a fronteira com o Amazonas levando madeira ilegal também foram apreendidos pelos agentes ambientais.

Equipes do Ibama atuam desde 23 de maio de 2012 em várias frentes no sul do estado de Roraima. As ações de fiscalização combatem o que restou do esquema de desmatamento revelado na operação Salmo 96:12, deflagrada pelo Ibama e a Polícia Federal. As fraudes da quadrilha regularizaram 21 mil hectares de desmatamentos e geraram 1,4 milhão de metros cúbicos de créditos de madeira nos sistemas oficiais que controlam o comércio de produtos florestais no país, o Dof e Sisflora.

“Vamos impedir que as ilegalidades prosperem. Roraima não vai virar um celeiro de créditos florestais para esquentar madeira ilegal da Amazônia”, afirmou o Coordenador-Geral de Fiscalização do Ibama, Rodrigo Dutra, que acompanhou parte da operação. Segundo ele, mais fiscais continuarão sendo deslocados a Roraima para apoiar as ações do Ibama contra o desmatamento ilegal.

Para desarticular os arranjos do esquema em Roraima, o Ibama vem fiscalizando madeireiras, as origens da madeira transportada no estado e as áreas de floresta que tiveram desmatamentos autorizados pelo órgão ambiental estadual.

A idéia é auxiliar Roraima a desenvolver uma economia de base florestal sustentável. Segundo o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Ramiro Martins-Costa, o fato do estado estar aprovando os primeiros Planos de Manejo Florestal cria a oportunidade do setor iniciar de forma correta. “A indústria madeireira de Roraima não pode ser baseada apenas em madeira vinda do corte raso de florestas como ocorre hoje em dia”, avalia ele.

Empresas fantasmas acelera o desmatamento

Em Roraima, segundo levantamento do Ibama, mais de 70 empresas se inscreveram no Cadastro Técnico Federal e parte delas obtiveram licença ambiental da Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) para se instalar no pólo madeireiro de Rorainópolis. As primeiras inspeções do Ibama, porém, indicam que metade está irregular. Das 12 já vistoriadas, seis eram inativas ou fantasmas (sem sede física; existiam apenas no papel), irregularidades que facilitam o uso dos empreendimentos para esquentar madeira ilegal.

Nos últimos cinco anos, a Femarh também emitiu 687 autorizações de desmatamento (Autex) para Rorainópolis e 938 para Caracaraí, municípios ricos em florestas. As 116 que foram alvo das investigações na Salmo 96:12 já foram suspensas pelo Ibama, em razão das fraudes na regularização fundiária e ambiental. Agora, de helicóptero, os fiscais verificam mais áreas com o corte raso autorizado. Cinco já foram fiscalizadas, mas apenas uma pode integrar o esquema. A suposta fazenda não derrubou nenhuma árvore, mas negociou os créditos da madeira.

Pente-fino na estrada bloqueia o transporte de madeira ilegal

Desde o início da Salmo 96:12, Ibama e PF fiscalizam todos os caminhões com madeira numa barreira na BR-174 (Pacaraima-Manaus), única rota rodoviária de saída de Roraima. Na altura da Vila Jundiá, no limite com a Terra Indígena Waimiri-Atroari, seis caminhões foram apreendidos e os responsáveis multados. Eles transportavam madeira sem origem legal; tinham uma espécie na carga, mas outra na documentação ou levavam madeira cuja origem era uma das 116 autorizações de desmate da Femarh suspensas.

Os bens apreendidos foram destinados à Prefeitura de Rorainópolis, à Escola Estadual Professor Leopoldo Campelo e à Fundação de Saúde Roraimazônia e serão utilizados em projetos sociais na região, após a conclusão dos processos de doação junto ao Ibama.

  • Comentários  

    22/08/2017